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Por que eu uso o Linux?

Minha convivência com o Linux se iniciou em 1999 quando eu fiz uma visita à uma feira de informática em Goiânia e comprei minha primeira distribuição: Conectiva ® Linux Servidor 4.2. Até então só havia visto falar do tal de Linux sem dar muita importância. Mas o motivo que me "empurrou" para este Sistema Operacional, foi a pirataria.

Em 1993, quando me formei em Engenharia Civil, comecei a trabalhar com meu pai em uma empresa de auto peças que contava com dois computadores funcionando isoladamente. Na época era um XT que fazia o serviço de contabilidade e um AT 386 que fazia o controle de estoque e faturamento. Como a empresa estava crescendo, sentíamos muita dificuldade em nosso processo de trabalho porque não havia um terminal para vendas. As vendas eram feitas em blocos de requisição que eram passados para uma outra funcionária (dentro do chamado "CPD") que fazia então a "digitação" da nota.

Nesta época, eu já conhecia da existência das redes locais, e o principal produto disponível no mercado era a Novell. Em segundo plano vinham outras e uma destas "outras" era um sistema de rede ponto a ponto simples e muito eficiente: a rede LANtastic da Artisoft. Durante meu período de estágio, trabalhei em uma empresa que usava esta rede e acabei usando um pouco desta experiência e decidi usá-la em minha empresa.

Quando dizia que usava LANtastic, muita gente ria, outros diziam: Nunca vi! Mas eu digo que a rede LANtastic era uma rede muito boa. Era estável, leve, fácil de gerenciar e você podia configurar uma máquina dedicando todos seus recursos para o servidor de rede, fazendo-o um servidor dedicado. O único problema da LANtastic é que ela não era um sistema operacional, mas apenas fazia o trabalho da rede. Assim ela ficava à mercê das limitações do sistema operacional sobre o qual ela rodava. Particularmente, acho que o melhor SO para a LANtastic era o DOS, pois apesar de feio, pequeno, limitado, você o o configurava para se dedicar à rede e pronto. Só o servidor rodava, dando segurança e estabilidade ao sistema.

Com o passar do tempo, software e hardware foram se atualizando e um dia me vi numa situação complicada: uma máquina nova veio com o Windows 95. Eu poderia retirar o Windows e instalar o DOS, mas sinceramente deu dó. Eu já tinha algumas máquinas (na administração) rodando o Windows 3.11 e os usuários gostaram do ambiente gráfico. Como a Microsoft fez um trabalho maravilhoso neste upgrade do 3.11 para o 95 (talvez o melhor de todos), era um desperdício retirar a "novidade" e voltar para o esquema DOS+WIN. Decidi então fazer um upgrade da LANtastic também.

Ok, tudo configurado e funcionando com a LANtastic 7.0 para Windows 95. O servidor continuava DOS (não queria que uma "tela azul" paralizasse minha rede), e as estações eram um misto de DOS e Win95. Até que um dia eu compro outra máquina (um K6) que veio com o Windows 98. Bom, como o Win98 eram uma atualização do Win95 sem mudanças "radicais" de interface, considerando ainda que a LANtastic não era preparada para o Win98, decidi fazer um downgrade para o Win95 e aí veio a decepção: O K6 não aceita o Windows 95. Diante do problema, eu tinha as seguintes alternativas:

  1. Voltar para o DOS
  2. Novo upgrade da LANtastic
  3. Abandonar a LANtastic
Decidi pela terceira alternativa.

Minha decisão foi tomada baseando nos seguintes fatos:

  1. O Windows 98 já trabalha em rede. Desde o Windows 3.11 (Windows for Workgroups) era possível configurar uma rede ponto a ponto para compartilhar recursos. Como o Windows já vem com este suporte e a LANtastic também é ponto a ponto, provavelmente o resultado seria o mesmo.
  2. O fornecedor do meu sistema usa. O fornecedor do meu sistema de vendas usava o Windows 98 em outras empresas e dizia que funcionava muito bem, mesmo não fazendo configurações especiais e ainda não dedicando o servidor para a rede.
  3. Custo do upgrade. Poxa, eu havia acabado de atualizar para Windows 95 e já teria que atualizar novamente? Vamos usar o outro que já vem instalado.

Foi a decisão mais estúpida de minha vida. Eu tinha 10 máquinas exigindo bastante da rede. O sistema que funciona na empresa é escrito em Clipper e ele não é cliente servidor, o que gera um alto tráfego na rede. Para minimizar o tráfego, instalei os executáveis localmente e no servidor ficavam apenas os dados. Ainda assim o tráfego é alto, pois com exceção do servidor, todas as outras estações competiam pelos dados.

O Windows 98 funciona razoavelmente para até 4 micros conectados. Como eu tinha 10, começou a aparecer problemas por todo lado: tela azul, conexões perdidas, sistema travando, corrupção de dados e por aí vai. Desesperado, procurei no jornal e comprei um CD com o Windows NT 4 Server por R$10,00 e instalei no servidor. Que alívio! Minha rede estabilizou, tudo voltou a funcionar, não perdia mais conexões, voltei a autenticar usuários e contava agora com uma novidade: um servidor web (IIS). Mas agora eu contava também com um problema gravíssimo: pirataria.

E agora? Como resolver esta questão? A tendência natural era procurar a Microsoft para legalizar meu NT. Neste ponto eu já queria evoluir também meu sistema comercial e já que seria feito um upgrade, vamos colocar uma intranet em funcionamento. Eu queria o sistema operacional, o servidor web, o banco de dados um aplicativo office e uma linguagem de programação. A decepção: Para atualizar minhas 10 máquinas, o servidor, e acrescentar o office e a linguagem eu teria que desmbolsar não menos que US$20.000,00.

Bom, 100% Microsoft eu não posso bancar, então vamos remover algumas coisas. Deixei o Office em apenas uma máquina, troquei o SQL Server pelo Oracle, deixei as estações com o Windows 98. Ainda assim o preço ficou proibitivo para minha pequena (quase média) empresa. Foi quando visitei a Feimática (feira de informática realizada anualmente em Goiânia) e vi um sistema operacional completo por apenas R$ 288,00. Nos dois CDs vinham tantas coisas que não acreditei nas possibilidades de configurações que eu tinha. O mais curioso, é que o preço que paguei foi pelos manuais (6) que vieram e pelo "empacotamento" do software, porque na verdade tudo que vem no pacote está disponível na Internet.

Assim iniciou-se minha história com o Linux. Graças à falta de diálogo com a Microsoft, e limitações no orçamento de minha empresa. Se em minha conversa com a Microsoft, houvesse uma melhor negociação, e os softwares MS tivessem um preço mais acessível, com toda certeza eu não teria mudado para o Linux. Eu não quero utilizar um sistema gratuito (note que eu comprei o Linux), mas quero pagar um preço justo. O problema (no meu caso) é que agora não tem volta. Já que experimentei e gostei, não estou vendo nenhum caminho que me coloque novamente nos sistemas Microsoft.

Hoje tenho na empresa 12 computadores conectados, onde 3 usam Linux (sem dual boot). As outras máquinas só não foram migradas para o Linux porque preciso atualizar o kernel do servidor para que o emulador do DOS não faça besteiras com os arquivos de dados do meu sistema ainda em Clipper. Assim que fizer esta atualização e meus testes funcionarem sem problemas, restará apenas uma máquina Windows por exigência dos softwares para declarações de impostos que são escritos para ele.

Bom, até chegar a este ponto de satisfação com o sistema do Pingüim, tive alguns tropeços, incertezas, dificuldades, mas isto é outra história...