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Introdução

Nos dias de hoje, onde as empresas estão sob pressão constante, seja dos fornecedores que querem vender mais caro, seja dos clientes que querem comprar mais barato, qualquer economia que se consiga obter, pode ser fundamental para se manterem funcionando e, principalmente, dando lucros. Atentos a essas exigências e em busca de produtividade a baixo custo, muitos diretores buscaram na informática um ponto de apoio para auxiliá-los em suas estratégias de negócios.

Mesmo com esta pressão e mesmo com a necessidade de aumento de produtividade, muitas empresas, a maioria pequena, ainda não conseguiram fazer esse investimento. Entre os motivos alegados pelos diretores estão os seguintes:

Preço do equipamento

Com a rápida e constante evolução das máquinas, e conseqüente pressão para vender as obsoletas, o que se vê são equipamentos de informática cada vez mais baratos e com muitas facilidades para pagamento. Portanto esta justificativa não deve mais assustar tanto o empresário.

Falta de mão de obra

Em uma rápida busca em jornais e em instituições como SENAC, SENAI, entre outras que oferecem treinamento, pode-se constatar que há inúmeros cursos técnicos, que estão "despejando" profissionais no mercado. Contando também as faculdades (somente em Goiânia são mais de dez) que anualmente formam mais turmas, observa-se que na verdade há um excesso de profissionais disponíveis no mercado. É claro que entre tanta gente, existem os bons e os maus profissionais, mas sabendo escolher, é possível conseguir um profissional que consiga realmente auxiliar no processo de informatização.

Falta de tempo para treinamentos

Com tantas escolas de informática oferecendo cursos em vários horários diferenciados, não há como usar a falta de tempo para não informatizar. Algumas destas escolas vão mais além: fecham turmas dentro da empresa, cobrando mais barato pelo pacote e dão o treinamento in loco, ou seja, dentro da empresa.

Mas a maior dificuldade é realmente o investimento inicial para a informatização. A grande maioria das empresas brasileiras é pequena e não tem caixa suficiente para bancar essa informatização. Mesmo vencida a barreira do custo dos equipamentos, existem os custos da mão de obra, dos próprios treinamentos e um outro custo que quase sempre é deixado de lado, mas que representa a maior fatia dos investimentos: o do software. Na maioria dos casos apenas o custo do software de gerenciamento é considerado no levantamento de custos.

Os custos com outros tipos de software, como sistema operacional e suítes office, geralmente são desprezados, sendo estes sistemas considerados básicos e que é uma obrigação do fabricante do equipamento fornecê-los instalados. Realmente os fabricantes fornecem os sistemas, mas com um pequeno detalhe: piratas. Se a empresa tentar fugir dessa pirataria, será preciso desembolsar alguns milhares de reais para ter sua máquina legalizada.

Felizmente, com o surgimento do Linux, que popularizou a filosofia do software livre ou ainda do software open source ficou bem mais fácil legalizar esses sistemas "básicos". A empresa não precisa mais se preocupar com as "licenças de uso", ou com o medo de instalar um programa em várias máquinas sob o risco de violar os contratos de tais licenças.

Na filosofia do software livre, ao obtê-lo, seja gratuitamente através de um download[1], ou pela bondade de um amigo, ou mesmo pela compra, o software é do usuário e com o software ele pode fazer o que desejar, inclusive alterá-lo desde que as alterações mantenham o software livre. Assim diferentemente do software proprietário, onde é necessária uma licença de uso para cada instalação, ao adquirir o software livre, o usuário adquire também o direito de instalá-lo em quantas máquinas ele achar necessário.

Portanto, pode-se concluir que a utilização de software livre pode trazer para a empresa grandes vantagens, dentre as quais pode-se destacar a economia e a independência do fornecedor. Reduzindo os gastos com a informatização, fica mais fácil para empresas pequenas colocar a informática à disposição de seus colaboradores a fim de ganhar produtividade e aumentar sua eficiência. Para empresas maiores, o caixa extra gerado pela economia obtida pela adoção de sistemas livres, pode ser direcionado para áreas realmente afins com o negócio da empresa.

Motivação

Uma das grandes motivações para o desenvolvimento desse trabalho foi o fato de existirem poucos, ou nenhum aplicativo comercial para Linux. Em se tratando de software livre o problema ainda é mais grave, pois os desenvolvedores desse tipo de aplicativo ganham dinheiro com a venda do software. Existem pelo menos dois modelos de negócio seguidos pelos fornecedores desse tipo de software: venda e aluguel. Na verdade, o que quase sempre acontece, é que a empresa adquire o software e depois o fornecedor oferece uma manutenção em troca de uma taxa mensal para atualizações do produto. Concluindo, acaba-se comprando e alugando o software ao mesmo tempo.

Outro grande problema no modelo proprietário, é que na maioria dos casos, os fornecedores cobram por licença de uso, ou seja, eles cobram a utilização em cada máquina da rede, o que onera mais ainda o custo de informatização. No caso de sistemas alugados, a história não é muito diferente, pois geralmente o valor do aluguel é calculado de acordo com o número de máquinas em que o sistema vai funcionar.

O modelo proprietário ainda apresenta o problema de prender o usuário a um único fornecedor, que detém o poder sobre o sistema. Ao usuário cabe apenas o direito de utilizar o sistema. O usuário depende do fornecedor para instalar, dar treinamento e manutenção, e ainda efetuar eventuais alterações que forem necessárias para que o sistema atenda melhor às suas necessidades. Se a alteração solicitada não for interessante para outros clientes (do fornecedor do sistema), pior ainda, pois eles vão deixar a alteração em segundo plano sob a justificativa que eles têm outras mais prioritárias para desenvolver.

A filosofia do software livre muda o poder das mãos do fornecedor para as mãos do cliente principalmente pelos seguintes motivos:

O software livre tem código aberto

Teoricamente, qualquer programador com conhecimento na linguagem de programação na qual o sistema foi desenvolvido pode efetuar alterações e adaptá-lo a qualquer situação.

O software livre pode ser instalado em outras máquinas

A partir do momento em que o usuário obtém o software, ele pode instalá-lo onde desejar, ou seja, ele pode instalar o sistema em uma ou em todas as máquinas da empresa sem ter que pagar mais por isto.

Esse trabalho foi elaborado baseando na experiência passada em uma pequena empresa, a Casa das Carretas, localizada em Goiânia-GO. A Casa das Carretas se encaixa no perfil da maioria das pequenas empresas brasileiras com potencial de crescimento porém com caixa restrito, o que dificulta gastos em investimentos. Com o crescimento natural no volume de dados da empresa, surgiu a necessidade de fazer um upgrade em uma máquina. Na época, todos os sistemas eram legalizados, desde o sistema operacional, passando pelo sistema de rede até o sistema gerencial. Como a máquina veio com um sistema operacional mais evoluído, decidiu-se evoluir toda a infra-estrutura da empresa. Em pouco tempo, houve a necessidade de um novo upgrade e, após um minucioso levantamento, decidiu-se pela utilização do software livre.

Ao partir para uma plataforma livre, surgiu outro dilema: o sistema gerencial era escrito para o outro sistema operacional. Tentou-se fazê-lo funcionar sob um emulador, mas diferenças no tratamento do sistema de arquivos levaram a corrupção dos arquivos e conseqüente perda de dados. Como o fornecedor do sistema não mostrou muita disposição em elaborar um sistema que funcionasse na plataforma adotada pela empresa, decidiu-se então partir para o desenvolvimento de um novo sistema com funcionalidade similar.

Tomada a decisão, foi feita uma busca para encontrar ferramentas que facilitassem o processo de desenvolvimento em Linux, de forma que fosse tão rápido como no Windows. No sistema da Microsoft, existem ferramentas consagradas de desenvolvimento e, devido à essa disponibilidade, não há como negar que é relativamente fácil desenvolver sistemas para Windows.

Depois de muita leitura e pesquisa em sites na Internet, leitura de documentos how to[2] e de alguns livros, foi possível aprender a utilizar algumas ferramentas e então elas foram adotadas no desenvolvimento dos sistemas da Casa das Carretas. Para mostrar aos programadores que desenvolver aplicativos em Linux pode ser tão fácil como no Windows, foi desenvolvido esse trabalho.

Notas

[1]

Download é o processo de baixar ou copiar arquivos de um computador remoto, no caso a Internet

[2]

How to é um guia que explica como fazer alguma coisa. Existem inúmeros documentos how to disponíveis na Internet que ensinam desde a configuração básica de um computador até a construção de clusters. A maioria deles pode ser vista na página The Linux Documentation Project